Biblioteca de Obras Raras Átila Almeida

Obra do mês de novembro: Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue Vai-e-Volta – 1ª edição, 1971.

5 de novembro de 2019

No dia 05 de novembro é celebrado o dia do cinema brasileiro. Não há como tratar do cinema nacional sem relacionar com a literatura, visto que boa parte de nossas melhores produções cinematográficas resultaram do diálogo entre essas duas artes. As inúmeras possibilidades de relações entre cinema e literatura há muito vêm despertando o interesse dos estudiosos nas duas áreas. Nesse processo de transcriação ocorre o que se denomina de tradução intersemiótica ou transposição de um meio para outro, que se configura em desagregar o texto, destacá-lo de seu contexto e reagregá-lo em uma nova semiose, numa nova produção.

Nesse contexto de relação das duas manifestações artísticas, é justo reconhecer o nome de um dos maiores dramaturgos brasileiros – Ariano Suassuna – célebre, escritor paraibano, conhecido por revelar, de modo muito sensível e imaginativo facetas do povo nordestino e de sua arte popular. Nascido em João Pessoa em 1927, no Palácio da Redenção, Ariano era filho do governador do Estado, João Suassuna.

Considerando a relevância de Ariano Suassuna para o cenário literário nacional, como também para o cinema, escolhemos como obra do mês de novembro o Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue Vai-e-Volta, uma primeira edição de 1971, pertencente à Biblioteca de Obras Raras Átila Almeida. O livro é o primeiro volume de uma trilogia intitulada A Maravilhosa Desaventura de Quaderna. Sua relevância se configura por, após o regionalismo de 1930, instaurar uma literatura nordestina diferente, numa linguagem inspirada no cordel, nos repentes e nas emboladas, ou seja, na literatura popular do Nordeste.

O seu texto possui uma narrativa não linear, com desorientações espaciais e opacidades de sentido, instaurando as conexões invisíveis presentes nessa ancestralidade de tantos povos misturados num único povo, integrando na literatura o denominado movimento Armorial, isto é, a valorização da arte popular nordestina. Essa obra também foi traduzida para a linguagem fílmica, por meio de uma microssérie dirigida e produzida por Luiz Fernando Carvalho com a colaboração de Luís Alberto de Abreu e Bráulio Tavares em 2007.

A primeira edição da obra Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue Vai-e-Volta, de Ariano Suassuna pode ser consultada de segunda a sexta feira, das 07 às 17 horas, na Biblioteca de Obras Raras Átila Almeida, situada no primeiro andar da Administração Central, Campus I, Universidade Estadual da Paraíba.

Texto por: Ana Carolina Aragão